Entrevistas

Entrevista a um elementos dos bombeiros voluntários

Sr. Francisco Antunes

 

 

  1. 1.      Quando é que decidiu ser bombeiro? Foi marcado por alguma situação que o incentivou para ser socorrista?

 

Decidi ser bombeiro aos 9/10 anos. Já estou no quartel desde 1994 e sempre me impressionou ver os carros dos bombeiros a sair para os incêndios.

  1. 2.      Que tipo de formação tem?  

 

Formação interna aqui a nível dos bombeiros. No início chamam-nos aspirantes a bombeiro. Entramos na escola de aspirantes onde permanecemos durante seis meses e ao fim desses seis messes temos testes escritos, teóricos e práticos e dai passamos a bombeiros de terceira. Anteriormente, fiz um curso que era administrado pela Cruz Vermelha Portuguesa. Depois, tirei um curso de tripulante de ambulância de socorro no INEM..

  1. 3.      O que é preciso fazer para ser bombeiro?

 

Para ser bombeiro é preciso ter mais de 18 anos e um atestado médico e neste momento, no quartel da Figueira da Foz, é preciso fazer uma entrevista com o comandante e com o psicólogo para fazer uma análise ao perfil da pessoa de modo a assegurar que temos as pessoas indicadas.

  1. 4.      O que é que sente quando recebem uma chamada de socorro?

 

Sentimos uma emoção enorme por irmos socorrer alguém que precisa mesmo de nós, uma emoção por ir ajudar e tudo mais, nomeadamente nos dias que correm.

  1. 5.      O que é que o assusta mais?

 

O que mais me assustava de todo era achar que não sabia o suficiente para poder contrariar o mal que estava a acontecer à minha frente. Também é desanimador ver as pessoas, por exemplo, a fugirem de um incêndio e nós a irmos em direcção contrária. Nós somos homens com máquinas, não super-homens e, às vezes, as forças da natureza juntam-se de tal forma que nem uma onda do mar apaga o incêndio. E no fim, quando tudo parece ter terminado, temos pessoas entaladas no carro ou numa casa a arder. É necessário ter uma grande força psicológica e vontade.

  1. 6.      Um incêndio numa casa, na floresta, um acidente rodoviário, o transporte de uma grávida ou de outro paciente urgente…?

 

Todos eles. Eu com o tempo aprendi a fazer uma coisa. Aqui há alguns anos atrás, quando entramos para os bombeiros, durante algum tempo não temos informações do local e normalmente chega-mos ao local e deparamo-nos com mortos, pessoas encarceradas e coisas do género, sem estarmos previamente avisados. Hoje em dia com a divulgação por parte do INEM, já chegamos com mais seguridade ao local, e já saímos do quartel com o equipamento adequado à situação e nós próprios já vamos mais preparados para a situação. Um truque que aprendi com os anos é que mais vale contar que aquilo seja uma desgraça de todo o tamanho e depois dizerem-nos pela rádio que há vítimas inconscientes. Assim, quando dizem inconscientes pode querer dizer que as pessoas podem estar mortas.

Muitas vezes, as pessoas são cépticas ao ponto de questionarem o número elevado de veículos para um incêndio pequeno. No entanto, têm de compreender que vale mais os meios serem excedentes do que por defeito.

  1. 7.      Tem alguma história que o tenha marcado durante estes anos como socorrista?

Como socorrista houve uma altura em que já trabalhava nos bombeiros, e já trabalho nos bombeiros há mais de 15 anos, em que tive sérias duvidas se queria continuar a fazer isto ou se queria fazer outra coisa ou se estava a fazer exactamente o que era preciso, porque morreram-me numa semana 10 pessoas nas mãos.

  1. 8.      Já sofreu algum acidente durante uma situação de socorro?

Já. Uma vez numa trovoada grande que por ai passou, estávamos a ajudar um senhor idoso que tinha ficado sem telhado por causa de um relâmpago. Arranjámos uma lona de um camião para pôr por cima da casa e eu estava a puxar com uma corda e estava a cinco metros de altura. Então escorreguei e desloquei a rótula. Depois tive de esticar a perna para a pôr no sítio e descer as escadas e ir para o hospital.

  1. 9.      Já teve de pôr em prática os seus conhecimentos de socorrismo fora das horas de trabalho?

 Já. Há situações que é extremamente conveniente, por exemplo na estrada quando há um acidente, ou quando alguém se sente mal. Lá esta, os bombeiros foram ensinados de maneira a que, quando reconhecemos o primeiro sintoma que pode levar para uma situação extrema, nós actuamos sem hesitar.

10.  Considera fundamental a actualização dos conhecimentos por parte dos socorristas ou defende que as técnicas antigas chegam?

 

 De modo geral não. Nós temos tempo para aprender, havemos de aprender até ao resto da nossa vida. E ainda para mais numa área como esta, não há muitas situações iguais e em diálogos uns com os outros, nós aprendemos muito. Há zonas onde há muitos serviços, permitindo que as pessoas possam pôr em prática tudo aquilo que aprenderam. Uma pessoa que não pratique, perde um bocado a prática das coisas, como a avaliação das situações, mas de um modo geral a informação tem andado a dar passos incríveis ao longo dos anos.

11.  De que maneira acompanha a evolução desta área? Pode indicar-nos alguns exemplos que demonstrem essa mesma evolução?

Ultimamente temos uma coisa que já esta a ser generalizada que é um medidor de sinais vitais, algo muito simples que normalmente nos dá o valor do pulso, o valor da tesão arterial e o valor de oxigénio que há no sangue. Isto permite diminuir o tempo que demoramos a avaliar a situação.

12 .Acha que os Bombeiros são reconhecidos e suficientemente valorizados pelo    seu trabalho por parte da população portuguesa?

Os bombeiros são presos por ter cão e por não ter cão, porque quem está à nossa espera no local diz que nós nunca mais chegamos e quem nos vê passar na estrada somos uns doidos varridos. Mas quando pessoas não sabem o que fazer, ligam para os bombeiros.  

Entrevista a elemento do instituto de socorro a náufragos

Sr. Pedro Rodrigues

 

1-      Porque decidiu tirar o curso de nadador salvador?

 

Na altura estava a trabalhar  num supermercado como gerente da secção do talho, no inicio do ano de 2007 ouvi uns comentários que a cadeia de supermercados “pingo doce” ia comprar o supermercado onde eu trabalhava. Compra essa que viria a ser feita na altura do verão,  com medo de não ter trabalho e como adoro o mar tirei então o curso de nadador salvador para na eventualidade de ficar sem trabalho no supermercado tinha outra forma de sustento, pelo menos no verão…

2-      Há quanto tempo é nadador salvador?

 

Sou nadador salvador há três anos.

3-      O que é que o motiva e o fascina para que todos os anos exerça esta actividade de socorrista?

 

O facto de fazer bodyboard há muitos anos e de ter uma proximidade muito grande com o mar  motiva-me bastante para desempenhar esta actividade  uma vez que posso contribuir para  complementar a segurança aquática  das nossas praias que são bastante traiçoeiras .

 

4-      Lembra-se do seu primeiro salvamento? Como foi? O que sentiu?

 

O meu primeiro salvamento ocorreu na praia de Quiaios .

Passava pouco tempo  das 14.00 quando vi uma senhora com agua pela cintura mas com a cabeça mergulhada na agua e mexia os braços com bastante força, no inicio ainda achei normal mas quando vi que a senhora não conseguia ter equilíbrio para meter-se de pé percebi que estava  mesmo a afogar-se com agua pela cintura. Corri em direcção a ela munido dos meios de salvamento adequados e até foi fácil, pois nem foi preciso nadar para salvar a senhora que assim que a trouxe para a praia disse-me :” hóo sinhori, se não fosse vossemecê morria aqui afogada”  eu pensei para mim mesmo, valeu estar atento, senão aquela tinha-se afogado com agua pela cintura…

5-      Qual foi a pior situação de salvamento que teve de enfrentar até hoje?

 

A pior situação de salvamento ocorreu na praia do Cabedelo .

Uma  forte corrente arrastou uma criança que andava a brincar á beira mar e quando estava quase a chegar perto da vitima reparei que o pai também tinha tentado ir buscar o filho e  acabava por ficar ele próprio em dificuldades, e eu tive de improvisar deixando a bóia torpedo com o pai e fazer o reboque do filho sem nada. Felizmente o salvamento foi bem sucedido.

6-      Faz formação regularmente? Em que consiste essa formação?

O curso de nadador salvador é válido por três anos.

O curso de nadador salvador é constituído por componentes teórico/praticas.

O plano de curso de nadador salvador consiste na seguinte formação :

04  horas de provas de admissão ao curso de nadador salvador;

20  horas de técnicas de natação em piscina;

04  horas de técnicas de salvamento em mar/rio;

08  horas de aulas teóricas para identificação dos meios de salvamento;

20  horas de aulas práticas para utilização dos meios de salvamento;

20  horas de aulas teóricas de suporte básico de vida;

11  horas de aulas práticas de suporte básico de vida;

06  horas de exame final teórico/prático

7-      Já teve de pôr em prática os seus conhecimentos de socorrismo fora das horas de trabalho?           

                                                                         

Não, nunca foi necessário.

8-      De que maneira acompanha a evolução desta área? Pode indicar-nos alguns exemplos que demonstrem essa mesma evolução?

 

Ao longo da minha actividade como nadador salvador tento ser uma pessoa activa, participativa e atento a toda a evolução referente a esta área.

Uma grande evolução foi a implementação das motos de agua no apoio ao salvamento aquático, o que permite um salvamento muito mais rápido e eficaz numa zona de correntes fortes e grande rebentação, onde é quase impossível fazer um salvamento sem a ajuda deste precioso meio.

Entrevista a um Socorrista da Cruz Vermelha

Sr. Daniel Simões

 

1- Quando é que surgiu a sua veia socorrista?

Comecei a ver as ambulâncias a passar e isso desperto-me o interesse de saber o que eram, o que faziam, e como é que socorriam.

2- Foi marcado por algum acontecimento/ situação que de algum modo o tenha incentivado para esta área?

Não.

3- Há quantos anos é socorrista?

Há nove anos.

4- Que tipo de formação teve/tem?

Curso de socorrista e Tripulante de Ambulância.

5- Em que instituições é que já esteve incorporado?

Cruz Vermelha de Maiorca (Foi comandante dois anos).

6- Tem alguma história que o tenha marcado durante estes anos como socorrista?

Já apanhei de tudo. O que mais me emocionou foi conseguir, fazer um parto ao quilómetro 23 da A14. É qualquer coisa de extraordinário, tem a ver com a melhor parte. A parte menos boa tem a ver com ver certas situações acontecer e que podemos fazer várias coisas mas depois há várias que ultrapassam as nossas competências e ver que não temos a ajuda necessária para poder salvar a pessoa. Mas, o socorrismo é mesmo isto.

 

7- Já teve de pôr em prática os seus conhecimentos de socorrismo fora das horas de trabalho?

Sim, algumas vezes, por exemplo quando uma pessoa cai ou quando vejo um acidente.

 

 8- Na sua opinião, considera que os socorristas de hoje em dia têm uma formação mais completa?

Os socorristas fazem formação de dois em dois anos, mas na minha opinião deveriam fazer anualmente.

9- De que maneira acompanha a evolução desta área? Pode indicar-nos alguns exemplos que demonstrem essa mesma evolução?

Sim. Por exemplo, o Suporte Básico de Vida. Há ainda o DAE (Desfibrilhador automático exterior) que passou a ser obrigatório em locais públicos, embora na prática isto ainda não aconteça. Actualmente só o medicou ou o enfermeiro autorizado e na presença de um medico o podem utilizar, mas está a ser regulamentada a utilização por TAT qualificados.

10- Considera fundamental a actualização dos conhecimentos por parte dos socorristas ou defende que as técnicas antigas chegam?

Sim, a actualização é importante e devia ser feita anualmente.

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