Publicado por: socorrismo12d | 22 de Abril de 2010

Suporte Básico de Vida

Suporte Básico de Vida (SBV)

            A qualquer momento, a qualquer dia, em qualquer local, nos podemos deparar com uma emergência médica e temos de saber como actuar correctamente e o mais rápido possível. Temos de ter consciência de que “as hipóteses de sobrevivência para a vítima variam em função do tempo de intervenção”, que “a chegada de um meio ao local, ainda que muito rápida pode demorar tanto como…6 minutos!” e que ”as hipóteses de sobrevivência da vítima terão caído de 98% para…11% se os elementos que presenciaram a situação não souberem actuar em conformidade.” (todas as citações foram retiradas de : Desconhecido (2000?) – Manual de Suporte Básico de Vida Adulto – Viatura Médica de Emergência e reanimação do Hospital Distrital da Figueira da Foz, EPE.).

            Deste modo, é importante que todos nós sem excepção saibamos o mínimo de SBV, um conjunto de procedimentos bem definidos e com metodologias padronizadas, que tem como objectivo reconhecer as situações de perigo de vida iminente, saber como e quando pedir ajuda e saber iniciar de imediato, sem recurso a qualquer utensílio, manobras que contribuem para a preservação da ventilação (respiração) e da circulação, de modo a manter a vítima viável até que possa ser instituído o tratamento médico adequado e, eventualmente, se restabeleça o normal funcionamento respiratório e cardíaco.

            O sucesso da Reanimação Cardiorespiratória (RCR), efectuada pelos elementos de socorro quando chegam ao local onde se encontra a vítima, está condicionado pelo tempo. Assim, quanto mais cedo se iniciar o SBV, maior a probabilidade de sucesso: “se a falência circulatória durar mais de ¾ minutos provoca lesões cerebrais, que poderão ser irreversíveis.” (in Desconhecido (2000?) – Manual de Suporte Básico de Vida Adulto – Viatura Médica de Emergência e reanimação do Hospital Distrital da Figueira da Foz, EPE.).

                O SBV serve para ganhar tempo enquanto não chega a equipa de socorro, mantendo parte das funções vitais da vítima.

                Etapas:

– avaliação inicial;

– manutenção da via aérea permeável (traqueia desobstruída);

– ventilação com ar expirado (conhecido por respiração boca-a-boca);

– compressões torácicas.

                Elementos (ABC):

– Airway – via aérea;

– Breathing – respiração;

– Circulation – circulação.

                Posicionamento:

– vítima em decúbito dorsal (de costas), no chão ou sobre um plano duro;

– se a vítima estiver em decúbito ventral (de barriga para baixo), deve ser rodada em bloco, isto é, virar a cabeça, pescoço e tronco ao mesmo tempo.

– o reanimador deve posicionar-se junto da vítima de forma a que não se tenha de deslocar muito se for necessário fazer ventilações e compressões.

                 Procedimentos:

           Avaliação

– avaliar condições de segurança;

– avaliar se a vítima responde, batendo-lhe suavemente nos ombros e perguntando-lhe “Está bem? Sente-se bem?”;

– se responder, deixe-a na mesma posição, caso não represente perigo acrescido, tente saber o que se passou, o que lhe dói, se tem ferimentos e se necessário ligue 112;

– se não responder, grite em voz alta por ajuda dizendo “está aqui uma pessoa desmaiada!” e não abandone a vítima, prosseguindo a avaliação.

           Via aérea

– desaperte a roupa à volta do pescoço e exponha o tórax;

– verifique se existem corpos estranhos na boca (comida, próteses dentárias soltas, excreções) e tente retirá-los caso os consiga visualizar;

– coloque a palma da mão na testa da vítima e os dedos indicador e médio da outra mão no bordo do maxilar inferior (queixo) mas apenas na parte óssea, nunca nas partes moles;

– incline a cabeça da vítima para trás e eleve o queixo;

 – verifique se a vítima respira, aproximando o seu ouvido da boca da vítima ao mesmo tempo que olha para o tórax da vítima: VER – se existem movimentos torácicos; OUVIR – se existem ruídos de saída de ar pela boca ou nariz; SENTIR – se há saída de ar pela boca ou nariz da vítima; tudo isto deve ser feito durante 10 segundos;

– em caso de dúvida, haja como se a vítima não ventilasse;

– se a vítima respira normalmente, coloque-a em Posição Lateral de Segurança (PLS), peça ajuda e regresse frequentemente para junto da vítima, voltando a avaliá-la;

– se a vítima não respira normalmente, peça alguém que ligue 112, dizendo o estado em que a vítima se encontra ao pormenor e o local exacto onde se encontra, ou, se estiver sozinho e se for necessário, abandone a vítima de imediato para ligar 112 e regresse logo que possa para junto da vítima para iniciar compressões torácicas.

 Compressões torácicas:

– devem ser feitas em decúbito dorsal, numa superfície rígida e com a cabeça no mesmo plano que o resto do corpo;

– ajoelhe-se junto à vítima;

– coloque a base de uma mão no centro do tórax da vítima e a outra mão sobre esta;

– entrelace os dedos e levanto-os, ficando apenas com a base de uma mão sobre o esterno, sem exercer nenhuma pressão sobre as costelas;

– mantenha os braços esticados e sem flectir os cotovelos, posicione-se de forma a que os seus ombros fiquem perpendiculares ao esterno da vítima;

– pressione verticalmente sobre o esterno, de modo a que este baixe cerca de 4/5 cm;

– alivie a pressão, de modo a que o tórax descomprima totalmente, mas sem deixar de tocar com a mão no esterno;

– repita o movimento de compressão/descompressão de modo a obter uma frequência de 100/min., cerca de 2 compressões por segundo;

            ATENÇÃO:

– o gesto deve ser firme, controlado e executado na vertical;

– os períodos de compressão e descompressão devem ter a mesma duração;

– ao fim de 30 compressões, efectue 2 ventilações.

                  Ventilação com ar expirado:

– assegure-se que a cabeça da vítima permanece em extensão e com o queixo elevado;

– tape o nariz da vítima, pinçando-o com o polegar e o indicador;

– inspire profundamente e coloque os lábios à volta da boca da vítima, certificando~se que não há fuga de ar;

– sopre continuamente para o interior da boca da vítima, observando a expansão do tórax, que deve demorar cerca de 1 segundo;

– afaste a sua boca da da vítima permitindo a saída de ar;

– efectue a segunda ventilação;

            ATENÇÃO:

– se não houver elevação da caixa torácica observe a cavidade oral e retire qualquer obstrução visível e confirme se a permeabilização da via está correcta;

– não efectue mais de 2 ventilações seguidas antes de reiniciar as compressões.

– se houver mais um reanimador presente troquem a cada 2 minutos, demorando o menor tempo possível, de modo a evitar a fadiga;

 – não faça ventilações se não for capaz, não estiver disposto ou exista risco evidente, ficando-se só por compressões torácicas de uma forma contínua.

           As manobras não devem ser interrompidas até que:

– chegue ajuda diferenciada e tome conta da ocorrência;

– a vítima inicie respiração normal;

– o reanimador esteja exausto.

                                           


Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

%d bloggers like this: